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Doutor em geografia e hidrografia fala dos danos que o lixo a céu aberto pode causar em Buenos Aires

Estivemos conversando com o professor Jorge Araújo, doutor em geografia física e hidrografia e professor de geografia pela Universidade de Pernambuco(UPE). Em conversa colocamos em pauta os danos acarretados pelo lixo jogado ao lado do fórum, no Loteamento Santa Ana e em outros pontos de Buenos Aires. 

O que o senhor tem a dizer acerca dos danos que o lixo causa ao meio ambiente?

O lixo dentro da classificação de poluição está colocado no universo dos elementos sólidos, são resíduos sólidos. E dentro dos resíduos sólidos o lixo tem a sua divisão também: tem a parte reciclável, e a parte não reciclável. Havendo essa divisão, o lixo pode ser preparado, condicionado já na casa das pessoas. Por exemplo, se você consumiu um bombom, até o papel sair da sua mão ele ainda não é lixo. Então, essa questão de ser ou não lixo, depende muito do comportamento do ser humano. A cidade pode se preparar, para que a matéria orgânica seja transformada em húmus, e colocada nas praças. Beneficiaria, por exemplo, a arborização, as hortas. Tudo isso diminuiria a quantidade de lixo nos lixões improvisados e até mesmo nos aterros sanitários. Desse modo seriam evitados possíveis gastos com matéria orgânica, o húmus, produzindo-o na própria cidade e gerando mão de obra. O plástico poderia ser acondicionado e encaminhado para a reciclagem. As latas da mesma forma, existe uma indústria de reciclagem no Cabo, que é a Latasa, que recicla esse material de lata; e não precisaria ser jogado no lixão. Há inúmeros elementos que poderiam ser reaproveitados dentro da cidade. Porque o perigo é quando as pessoas juntam isso, principalmente os eletroeletrônicos(pilhas, baterias) que são radioativos, e possuem componentes danosos, que são descartados assim em qualquer lugar, podendo atingir os recursos hídricos. E não apenas isso, mas os gases são lançados em forma de vapor, e em forma de chorume, que é aquele líquido escuro altamente ácido, indo para os lençóis freáticos, afetando os mananciais internos e da superfície.

Professor, o senhor acredita que, estando esse lixo num lugar onde as pessoas passam, e até mesmo moram, elas estão sendo afetadas; mesmo que os danos não estejam sendo notados agora?

Sim. O lixo sendo condicionado à céu aberto, sem as devidas medidas de reciclagem e cuidado, ele está prejudicando toda a cidade. Pois, antes de tudo, tem a poluição visual, a paisagem torna-se degradante, deixando a população exposta a um sentimento de abandono. Os ventos levam vetores, as bactérias produzidas no lixo são espalhadas por toda a cidade por meio do vento. Não apenas as bactérias, mas também os fungos, os micróbios e também os macroorganismos danosos. Enfim, as pessoas , muitas vezes, vão adoecendo e nem sabem porquê. Podendo ser o chorume sendo levado através do solo poroso, contaminando cacimbas e lençóis freáticos inteiros. Animais, por sua vez, podem vir a pastar em meio ao lixo. É realmente de muito perigo um material desse tipo sendo acumulado dessa forma, sem controle, ainda mais por conta das zoonoses. As zoonoses são proliferadas através do vento, através dos meso animais e microanimais. Doenças terríveis como a própria peste bubônica são difundidas por conta de um aterro mal acondicionado.

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